segunda-feira, 30 de junho de 2008


"Há homens que lutam um dia, e são bons; há homens que lutam por um ano, e são melhores; há homens que lutam por vários anos, e são muito bons; há outros que lutam durante toda a vida, esses são imprescindíveis." Bertold Brecht





... e eu me lembro de ouvi-lo me chamar no corredor entre nossos quartos, com um sorriso malandro no canto da boca, que queria dizer muita coisa, eram quase 4 meses sem andar, sem forças numa cama, eu nunca o tinha visto doente até então, mas o vi adoecer e enfraquecer gradativamente, o via cada vez mais magro, mas recusava aceitar, trabalhou até quando não conseguia mais, ai veio para casa, ficou internado, passou por uma cirurgia e depois não falava, não andava, não sorria, mas pouco a pouco foi se recuperando, depois de muita insistência conseguimos uma prorrogação de Deus, e ele saiu do hospital, voltou para casa, ainda tínhamos o que aprender; e ele estava lá, em pé, exatamente como eu tinha sonhado, (acreditem ou não), voltou a andar, a sorrir, a falar, então começou uma luta contra o que já tinha afligido seus irmãos mais velhos e com certeza "o mal que temia lhe sobreveio" , a custa de muitos remédios e orações, por mais ambíguo que isso pareça ser, foi se recuperando, chegou até a passear sozinho pela cidade, cozinhar, pegar ônibus, mas tinha um sonho maior, voltar a trabalhar, foram mais seis meses depois que voltou a andar, sempre lutando, nunca se rendendo; a última vez que o vi foi numa sexta a tarde, eu não conseguia sair da sala onde ele estava internado de novo, voltei três vezes com um aperto no peito, e na terceira vez ele me fez um sinal de positivo com um esboço de "um sorriso malandro no canto da boca..." e Deus o chamou para si...